True Moon

True Moon
Everyshit has it darkside

terça-feira, 13 de junho de 2017

Palavras passageiras de morte

Palavras passageiras de morte

Infelizmente não há medida, ou sequer qualquer rastro de algo para ser desconfiado.
A existência é um só caos, e caos nenhum afinal.
Sem começo, sem fim
Os planos vão de mal a pior
numa insistência lamentável
nas tentativas de milagres, nos truques da razão
que em declínio iminente
são soprados como a poeira
única substancial de nossos átomos
invisível verdade
lembrada pela inevitável degeneração a caminho da morte

Razão que exige a forma e a retração do crescimento
Que exige a clarificação, a explicação e o verdadeiro motivo
Que quer ver e não gosta de ser enganada
que anseia encontrar e esconder pra si
numa gaiola no interior de um templo na cidades dos homens
o vir-a-ser, o mistério

Glorioso é o que
ou o que digno de alegria
digno de uma excitação orgânica
que respira e inspira a morte a vida em todos os momentos
nessa dança natural
onde por um lado alguns continuam
e pelo outro perecem
e caem,
um a um,
sem distinção,
no abismo de uma eternidade vazia de palavras e pensamento
será que há qualquer comentário que possa ser feito acerca do que há após a queda?

Silêncio que acompanha a nulidade da ausência de vida
Absurdo para os olhos que costumam ver algo, e que então passariam a ver o que não se vê

Glorioso
tal palavra
que totalmente fora dos fatos do próprio existir,
queria eu saber como e em que circunstância poderia ser aplicada, ou em que tipo de situação veio a surgir
E
se é que nem sempre se perde tempo venerando
deveria-se dar mais valo ao único lugar da vida: o agora
Entre o passado história, e o futuro incerteza

Casas sobrevoando os céus,
estruturas que são sopros e danças da era do vapor
que são ideias
e que vivem na cabeça
e que também sou eu
e você



terça-feira, 18 de abril de 2017

Parece que tudo está desabando
E que meu coração está congelando
... me sinto estranho.

quarta-feira, 15 de março de 2017

Ha coisas surpreendentes no coração..
Fantasias, amor, desejos, tristezasi. .
Mas tem uma coisa que distancia tudo do que concerne aos assuntos do coração.. e isto é a morte. Não há nada no mundo que não participe do coração, nada enquanto vida.. só a morte separa o mundo do amar. A morte de cada um é dolorosa e horrível e ninguém liga, ela só passa por aí como um vazio, um nada, um qualquer coisa.. é fria e invisível, ninguém ve o cadáver que se esgueira e fala sozinho, suas cordas vocals estao presas e apodrecidas.. o corpo foi perfurado, aberto, fede.. ninguém se importa.

quarta-feira, 8 de março de 2017

fuckinvulcano


Vulcão
Pedra encerrada
Lacrada
Contida
Amarrada
Explosão de eras
Fogo antigo
Memória calada
Angústia amarrada
E tudo cinzas, e de labaredas
e incêndios e fugas
Morte animal, morte vegetal
espírito incinerado
Morte da própria morte
e de novo nada
olhos negros - silêncio
Vulcão que varre
Vulcão que empurra
Vulcão que atravessa
Que impõe e esmaga
Concentração num ponto nuclear
Gota de chuva que aos montes: tempestade
Relâmpagos que assustam o sonho
arrepiam e rasgam a pele
Destruição, pulverização,
Arrebatar esmigalhar e correr e voar e cansar...
Chuva... Chuva num verão,
num quarto úmido e abafado e triste.
Suor, e cansaço
ali, em lugar nenhum
abrasado, irascível, aquentado.

terça-feira, 7 de março de 2017

Va catar coquinho

Há crueldade no modo de falar de algumas pessoas. Há crueldade num modo de falar 'bondoso'.. máscara de bondade que esconde o punhal. Tal crueldade aparece em felicitações, em presentes.. modos que tais pessoas descobrem pra dissimular instintos vis, instintos que pretendem destruir, mas negam. O discurso da esperança, do tornar-se melhor, só tem uma pretensão: excluir, deletar. O que digo é: se você se acha na condição de ser aquele que faz o certo, deve então julgar o que é errado.. e deve acreditar que tem o poder de discernir isso. Seu moralista filho da puta! Tais seres dotados de tudo que é bom e melhor sentem-se no direito de enquadrar o resto do mundo dentro de seus parâmetros, e ali, só ali, você... eu... e todo mundo... temos grandes problemas. Os sonhos e qualquer tipo de pensamento distoante da lógica do ser legalzinho é merda e motivo de chacota. Não se deixe ser humilhado! Tais familiares considerações acerca de teus atos podem passar despercebidas, já que boa pinta é atributo desses parasitas malditos, mas não deixe de ler nas entrelinhas que o motivo real dessa enchecao de saco é uma indigestão, uma dor de dente, uma comida embrulhada no estômago, um enjoo insinuando o vômito.

anarquismo

O conceito de anarquismo é mal compreendido, confundido com o caos, com a nadificação, caminho pelo qual a galera se perde nas ruas e no pior do mundo subterrâneo... Anarquia exige responsabilização... a negação da lei predefinida implica numa exigência de uma posição autêntica, e tua... e isso significa não à subserviência a dogmas antigos, e a pensamentos que entalam na garganta. O anarquismo quer dizer um modo próprio de pensar e fazer, é imposição e destruição.. mas para abrir espaço. Não uma agressão contra o teu próximo, mas sim contra aquilo que se acha maior numa hierarquia que não existe, num quadro de valores ilusórios estampados em lugares inacessíveis a pessoas reais, pessoas reais que entendem que cada um é cada um, e que além da superfície das aparências reside em cada um o diferente. Que cada um seja livre pra ser o que se é.. essa é a posição anarquista.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

a imbecilidade da pureza, e o fedor periférico

A sociedade dos ideais do além-mundo, e sua face pura, é como um urubu à sobrevoar a carniça. Em dias de enterro juntam-se apressados para sofrer e gemer e chorar por sua culpa distribuída em corpos que falecem precocemente. Atravessam os corpos viciados de seu ouro de tolo com julgamentos construídos na dialética de sua própria podridão. Transformam-nos em peso morto para remediar sua culpa, uma culpa enorme, do tamanho das montanhas que constroem em seus cercados privados, uma culpa que subjaz todas suas conquistas brandas e brancas, conquistas que pisoteiam e recusam, conquistas que competem e excluem, empurrando com uma vassoura o lixo para as periferias. Lá estão os zumbis, os lixos, os imbecis e esquizofrênicos, e lá que o sofrimento é real, é lá onde o sofrimento é cotidiano, e lá onde nasce aqueles que tornam o sofrimento real, e não podendo o negar já que é o tem como o único meio de acesso ao real tornam-no real para as páginas direitas e coloridas dos almofadinhas intelectuais, que vivem a utopia da boa vida e escrevem sobre a tristeza de alguns que se perdem no caminho, que igualam a miséria a um erro moral, a um problema de conduta, e onde continuam carregando a boa vida nas costas da mordomia subsidiada por miseraveis, escalada na cabeça dos miseráveis, isto é necessário, pois para ter é preciso que alguém não tenha. Que direito tem as classes superiores de dizer sobre o mal? Que direito eles tem de dizer sobre o sofrimento? Que direito tem de julgar aquele que não pode defender-se adoecido em imbecilidade, aquele que não enxerga os sonhos, aquele que ama de uma vez o sabor e o cheiro da droga pois não enxerga o amanhã? Esses miseráveis carregam o peso da porcaria, o lixo dos problemas sociais. São verdadeiros sacrifícios, pois sem saber, sem consciência, são enterrados, e são, assim o sentem, os verdadeiros culpados, já que a minoria que detêm todo o poder de qualquer coisa, lá de cima sequer tem a capacidade de entender a atrofia cognitiva de uma vida de trabalho, e apenas trabalho operário, trabalho da pior espécie. E esses jesuses cristos, inconscientes, são então o substituto da dor dos ricos: as feridas da sociedade estão aberta onde há tristeza, loucura e miséria. Eles pagam a dívida, a dívida acumula entre os que esbanjam, pois pra onde vai a merda depois da alimentação gananciosa? Pra onde vai o excesso de porcaria já que há o excesso de fartura? Porcos imundos revirando lama. Esses caras comem os restos, restos produzidos na economia mais negra pensada pelo tráfico, pensado em função da riqueza, e incompreendida  quando barrada pelos resquícios de justiça que ainda restam e estão capengando, já que nosso deus é o dinheiro, e do que mais poderíamos viver sem ele? Será que há vida nesses dias da balança do dólar que não seja voltada e guiada pela grana? Pobres criaturas que nunca tiveram recurso, ensino e aprendizagem para a lógica mais básica na confusão atual de pensamentos, e sofreram da desvalorização dos sentires, num mundo que não conhece as notas musicais, que é surdo à melodia do viver, num mundo de coisas, de coisas sem sentido, sem profundidade. A droga e sua alucinação inerente não é só uma busca da alma dessas coisas, de um espírito por detrás do real monótono, de uma loucura vibrante num chato e quebrado, mas é também a busca do amor. Amor recusado, amor afundado, amor inexistente, amor que de início já não é, numa vida confusa e voltada apenas à consumo de objetos materializados, desejos literais, mas amor que se torna motivo de discussão e recriminação, pois arde demais, pois possui a qualidade do que é natural, e o natural não cabe em caixas e não é condensado, e não pode ser escrito, e não está no mundo civilização, e não é educação. O amor é o contorno abstrato das coisas, é um beijo quente, e um coração, o amor também é frio,e o sofrer mais gélido, e tudo isso está fora do comum e das linhas e da ordem, e tudo isso é humano demais para o que é direito e o que todos insistem em reproduzir numa convenção medonha, numa fila e num rebanho para a última e obscura necessidade, num tirar vantagem de um egoísmo calado,  na aparência que contorna o design da existência, um design flexível e de plástico, que emoldura e cola máscaras, que retorce e refaz feridas, que maqueia o organismo pulsante em esculturas que permanecem estáticas nas grandes praças, dignas sim, mas verdadeiras nunca. Não há tal coisa que não seja mutável, o movimento implica em ausência. Essa necessidade obscura que é o fim dessa realização maquiavélica da conduta do chá da tarde, é um desvio, um desvio desviado de novo, e de novo milhões de vezes, e que por fim tornam-se deuses, que só nos esmagam diante de uma impossibilidade, diante da mais sútil percepção de que a vida logo acaba, de que a morte é nossa amiga, de que a morte é nossa sombra.O maior dos males é a generalização do como ser, a o seguimento frio das diretrizes do pensamento que é uma quimera duvidosa, mas debaixo dessa criatura todos são iguais, e pobres daqueles que não se limitam à sorrir e acenar. No fim não há uma diferença tão grande entre a pureza e a podridão, que ambas são frutos de uma mesma árvore. Penso que o fim daqueles que recusam-se com força a aproximar-se do que é podre, devem queimar a pele como o sol, e que a vazies dessa vida deve ser tão pior já que sequer compreende o motivo de estar sofrendo cercado de ouro e latas e cercas de titânio. Donde vem a lança que me acerta - é a pergunta, se estou forrado de armaduras?