True Moon

True Moon
Everyshit has it darkside

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

o mar do completo

Imaginação
Córrego do banho idílico
Imaginação
Fonte do possível

Atalho para o recomeço, e um deleite de palavras tornadas tão palpáveis quanto os olhos atentos ao éter
Que venha à vida esta criatura horrenda por negar a lei suprema e a servidão,
Por acreditar no ponto crítico de uma alma passageira
e sem deixar cair na beira jogar-se de uma vez no abismo

Onde a carne regozija,
Onde o amor é fruto que se colhe sem dó
Qual engole, qual mastiga, qual saliva
Onde o vermelho é a cor da pele
Onde não se discrimina e banha-se de absoluto

No poço da eternidade
Onde melancolia é o negar a irrealidade das almas que se interpenetram em completude
Água amarela e densa

Vivo sempre ao lado de quem não posso negar que amo
Amo por dividir o coração
Amo pois a dor que te causam é minha

domingo, 24 de julho de 2016

cigarro e cão, natural e fumar, lei e amizade

Puts, joguei o cigarro muito perto... Deslizo por entre a brecha do carro e do portão. O cigarro está um centímetro depois da linha imaginária do portão que separa lá fora daqui dentro da casa. Acho que ta tudo bem... a bituca está lá fora. A fumaça termina de queimar na rua, no caos da estrada, nas escolhas da grande cidade, do estado maior. As leis diferentes pra cada lugar não tem mais a proteção dos ideais dessa única família que defende-se com agudeza, que determina-se no perímetro dessa casa, que impera em suas categorias uma ordem até que natural de seu próprio sistema abstrato.


O cachorro passa de cabeça baixa, vai até o lugar de sua escolha onde o vento refresca seu corpo coberto de pelo que abafa a pele. Parece uma ovelha. Ele olha como que pedindo licença pra poder refrescar-se na água que  o vento carrega em sua umidade. Me aproximo e trocamos de lugar, eu sou esse cachorro. Sem perder a postura me abaixo com a rigidez de um homem que faz de suas escolhas as melhores, que tenta elaborar o maior plano de uma vida curta. Passo a mão em seu pelo e olhando para o horizonte lá embaixo dessa montanha, mostro que a única lei que não deve ser quebrada é a da igualdade, pois aqui então poderemos ser livres pro refresco da brisa, e não há tormenta que não possamos enfrentar desde que sejamos livres pra escolher o melhor. Que tipo de pessoa não escolheria amar? Ele se afasta, o cão, e me ensina que o cheiro do cigarro atrapalha o fluxo dos aromas naturais.. eu entendo mas não saio do lugar, estou aqui por motivos, motivos que tento deflorar do longínquo horizonte que se abre mais uma vez em minha solidão pedindo um novo nome, uma nova coisa, que ainda não é na grande ausência do dualismo da alma. 

quarta-feira, 20 de julho de 2016

o egoísmo é uma fuga de si mesmo

O egoísmo é o templo onde se alimenta do que insiste em assegurar como você mesmo.

A lógica do sistema do consumismo é individualista, pois obriga o sujeito a comprar a realização do seu desejo individual, obriga o sujeito a comprar e formular sua personalidade. Como alguém que escolhe a cor de onde vai morar, o modelo do que vai se locomover, e o formato daquilo onde vai aconchegar a bunda.

Nesse sistema falar sobre suas próprias experiências para os outros é algo no sentido de não estar ‘bem resolvido’, mesmo quando bem sabemos que em circunstância nenhuma se está totalmente satisfeito com qualquer modo de viver que se possa escolher. Até por isso se escolhe, pela diferença. A escolha é a afirmação da possibilidade, e a abertura da possibilidade é o vir a ser da ausência.
O remédio moderno é a saída do ponto crítico. O homem alienado à tudo isso que lhe dopa é também o homem feliz, isto é, submetido, à sombra de um objeto colorido. Este não respira e esgueira-se na vida, vive mitigando vícios e silenciado, o mundo para este está amortecido, formatado e muito bem correto já que, em sua ignorância arbitrária, tem o mesmo cheiro do seu halito, a mesma textura da sua pele, as cicatrizes de seu templo de corpo.

Você que fala sozinho, sofre calado a gosto de açúcar ou embriagado, e lá fora vagabundo que falam demais envergonham-se por sofrer. Pensam estes estarem cegos por não ver o amor, doentes de um vazio de alma, enquanto riem de canto de boca aqueles charlatões de muita riqueza que entenderam a piada. Superficial. Estes últimos que alimentam-se na fonte das convenções, estes que possuem a mente oca onde intermitentemente ecoam as diretrizes de um senhor qualquer, um aproximado do ouro de tolo, um grande enganador de fala mansa que os carrega à uma suposta luz em chamas, a preço de um sofrimento para qual teus sentidos estarão sempre fechados. Esse é o segredo do ‘vazio interior’: estar vazio mas não dizer do que. Enquanto passam fome três quartos.

A ignorância tem grande parte nisso tudo, pois ela é o ato de tornar inacessível a causa dos grandes problemas. A ignorância é a impossibilidade da resolução, e o surgimento do fato problemático. Enquanto se ignora que se tem demais enquanto alguns dormem nas ruas e passam frio e fome que tipo de consciência almeja-se? Uma que vê o rosto humano em farrapos e não reage... A ignorância é um mal para a sobrevivência, pois ignorar o sofrimento é sofrer calado e morrer aos miúdos.


Gritando em sua loucura solitária num coração desolado e sem força de vontade, implorando além do limite da carência, já prostrados na conduta do irreparável e do inaceitável, enlouquecendo mais uma vez no breve momento de sensatez que aceitara a evitação, como único caminho possível não só para suportar o cotidiano, mas também a si mesmo no paradoxo do infinito, no estar vivo sem razão, a verdadeira causa do insuportável que reside na eterna presente ausência de cada uma das coisas.

terça-feira, 12 de julho de 2016

Poesia da reclamação

vc acredita
que
a editora
mandou uma resposta aos meus poemas
dizendo que eu deveria descobrir o que eles significam
pra poder dai fazer uma movimentação concreta
como se meus poemas escondessem possíveis rumos que eu não tomo
como se o fruto da minha escrita estivesse enraizado em uma espécie de doença, de algo a ser curado.. uma ferida aberta, um cancro
e não é que tudo isso está certo?
até agora não entendo porque não aceitaram publicar..
mundo estranho.. poesia boa é aquela que fala em nome do dinheiro
aquela que fala verde, que faz barulho de caixa
que compensa, que reverência os bons modos, que se escreve, que se estrutura de acordo com a norma. Poesia normatizada.
o tristeza pensar que só se deve ser livre de um jeito
que a arte tem um filtro, quase como um daqueles monóculos
que vê por cima do bigode, que parece segurar o peso da boa vida na bengala
puta que pariu.

quarta-feira, 29 de junho de 2016

Acho que quem faz poesia não suporta as palavras
Mais poeta é aquele que suporta conviver com as coisas em silêncio

domingo, 26 de junho de 2016

As vezes eu vejo coisas, coisas escritas por ai, em redes sociais e etc, que são só um amontoado de palavras que meus olhos passam correndo. Não tenho certeza se isso é uma espécie de alucinação, ou uma pressa, ou um desentendimento com a pessoa que escreve. Muitas pessoas parecem, assim como eu a maioria das vezes, querer escrever algo sobre o que não entendem, parece na verdade que o motivo o texto, qualquer que seja é sempre esse de reviver o esquecido, de tornar escrito aquilo que ainda não é palavra, que ainda não foi discorrido. Suponho que me conhecer seja o objetivo principal de qualquer percepção, conhecer e reconhecer isso que flui em mim mas ao mesmo tempo é imperceptível para mim mesmo, e que as vezes insiste a tornar objetivo no mundo de tal forma que se torne escancarado, e eu já não posso mais negar, porém possa então reconhecer.

segunda-feira, 20 de junho de 2016

promessas

Que escuridão doce
Dos meus solos sozinhos amanhã

Que solidão pequena
Do meu coração apertado

Que aperto no corpo de tanto consumir vazio
Estou repleto de pouca luz
Estou de pouca luz algumas palavras
Estou em algumas só que, de verdade, em nada

Faço que faço e minto que não fiz
Pra me apaixonar de novo faço de conta

Faço de conta que nunca te vi
Faço de conta que não quero te ver
Faço de conta que sou assim complicado
Um pouco misterioso pra ninguém saber de uma vez
Sou o mata tempo que não se encontra numa revista ou na TV

Faz tanto tempo mesmo que ninguém faz nada
São só áudios e vozes, e algumas coisinhas sem sentido na pequena tela
Um vazio de ego, um eu famoso

Sou para todos lá o que nunca fui, e tudo o que há lá são amontoados, quilos e quilos, sem espaço nenhum na realidade, de pixels
Pixels, só pixels
O espaço do meu lado ainda é escuro e a chuva cai sem som de nenhum passo, eu escuto a mim mesmo respirar, e escuto o ritmo acelerado do meu coração que
Torno real com essas palavras, que faço surgir com as marcas pinceladas da minha mão,
Na sombra iluminada, de uma tela e um colchão e a coberta cobrindo todo esse frio
Que eu nem sei mais se é de verdade ou uma desculpa que me convence, e da um tempo pra todos perceber que a era do gelo chegou em nossos corações de metal
Durmo quieto
Aquietado por uma passarela, uma aquarela, uma parede branca de sinais vazios de olhos e desenhos sem nenhum sentido
Esses que são o retrato mais fiel dos lapsos e lacunas deixadas pelas era da não-informação
Quase como germes terminamos de comer e não sentimos o gosto do resto ainda na boca de comida
Para mais um alimento numa esquina de rua e riscos, e marcas pintadas vermelhas nos chãos e nos postes imagens deformadas de um talento sem fim, para o fim da imagem própria que torna o corpo respondido, torna o corpo resposta à ponta de navalha e agulha, da droga da tatuagem, das bandanas engolidas nos cantis de conhaque
Verme sonolento que cansa mas não dorme nem sonha, pois quem quiser que for que se controle ai debaixo dessa totalidade de perfomance natural, em todo lugar onde vou dizer pra quem me espera que todo mundo sabe, que nós somos tão belos e a juventude de nunca mais morreu, nem nasceu.
Eu ouvi falar de um grito de fúria nos magistrados da burocracia, e ouvi falar de um grito de ar no pulmão de uma pessoa que parecia mais um nada.
Nesses vermelhos movimentos disformes eu vi nascendo a tristeza, a violência, e só aparência
Num querer que se não poder não será digno de nada, novo maltrapilho que será o melhor do mundo e se não for será o grande lixo da humanidade, lixo que se reserva para quem não lembra e lixo que se reserva para quem quase lembra. Somos nada mais que um monte de patetas querendo ser o que não são para provar alguma coisa pra não sei quem... Enquanto a vida passa e o dom não é aquilo que desejam as grandes lojas que vendem guitarras a cobrar, que vendem músicas que nunca vão durar, que produzem em palcos pequenas parcelas de ninguém, de alguns modelitos estampados num verão atrás só pra mostrar no sol que se pode mais, pra deixar e ser assim especial depois da carne, enquanto matam nos grandes abatedouros milhões de vocês mesmos.
Ri, ri, ri, ri, grande homem atleta do topo dos prédios, gorila que domina e governa o oceano atlântico, o indico, o pacífico, e as gélidas montanhas invisíveis que estão barradas pela claridade da lua onde morrem os poetas enganados por estampas e latas e cores.
E doutro lado o nada que empurra com a barriga o querer e torna o mais possível simples no complicadíssimo impossível já que ainda não é tudo

Tudo teu quase nada, porém ainda não lá.. morrendo de amor pelo que ainda não é, depois de três ou quatro segundos espera de novo que depois de três ou quatro segundos poderá esperar de novo depois de três e quatro segundos que nunca mais pode ter certeza só aqui e já da tua infelicidade num mundo de promessas